Domingo, 12 de Julho de 2009

Oração


 

Anjo de candura

De triste missão

Dar-te-á a todos

E sofrerás incompreensão


 

No teu rosto jaz a paz

Na tua alma a solidão

Estás sempre a viver

Uma doce ilusão


 

Traz no corpo a marca

Do amor indiscriminado

Sempre a esperar e a espreita

De um amante apaixonado


 

Anjo de triste missão

Dar-te-á não importando a quem

Estás sempre a buscar

Nem que seja emoção


 

Triste vida, triste luta

Resultado da desilusão

De amores mal vividos

Da falta do amor e do perdão


 

Esperemos sua glória

Esperemos uma vida longa

De amores valorosos;

Da busca da redenção


 

Faço assim de minhas palavras

Para ti uma oração

E digo a ti e a todo mundo!

Moras e morarás sempre em meu coração

Canto duma puta


 

Vendo-me

Puta!

Meu corpo por um preço

Minha alma também, acho...

Traí

Meus sentimentos, ou talvez...

Não


 

Pedaço de carne

Animado, talvez...

Talvez já tenha perdido minh'alma

Talvez a tenha vendido

Sou seu capricho

Sou seu recipiente de gozo

Gózo!

As vezes sim, outras, a maioria não!


 

Abro minhas pernas

Abro meu sexo

Meu ânus é seu brinquedo por um preço maior, ou não


 

Faço de conta que sou sua

Faço de conta que sou feliz

Talvez eu seja, talvez não!


 

Fui a princesinha do papai

Procurei meu príncipe, não achei...

Ou talvez não o tenha querido

Sou a dama da noite

A morte do amor

Mais uma mercadoria...


 

Choro, às vezes não

Sorrio, o falso sorriso sempre

Lavo-me

Me perfumo

Encanto

Converso

Minto

Espero o próximo

Até o último dia da minha vida


 

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

Memories will always be true


 

Since darkness embraced me

Nothing was left but me

Since sorrow descended

I'm not what I used to be


 

Since agony is my only company

I avoid what I could be

Since fear filled me

I can't walk toward thee


 

Since the sun has left my days

And the moon has not been so pale

The fog in the night

Is only an ordinary haze


 

Sadness, silence and tears

Are always with me

Desperation, breathlessness

Along with fears


 

They never let me be rescued

No matter what I do or I don't

Despite the only certainty I have

Is what I can't and what I won't

Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Sinal de Fé

Sinal de fé

A cruz

O perdão

Não me toquem.

Fui tocado pela

Loucura

Pelos devaneios.

Acreditei mais em mim do que no Cristo.

Punam-me

A luz, a espada, o Deus Findor.

Sou apenas um

Homem.

Quero ser sem a Graça.

E quero optar por também ser

Sem Fé

Sem cruz

Sem perdão

Crossroads

Encruzilhadas cortam nossos caminhos

Cortamos a vida nos deparando com

Os encruzos

Encerram em si, a verdade,

O caminho

A vida

O Cristo

A cruz

Encruzilhados

Ladrilhos, cacos, espinhos

Trilha

O bem e o mal se cruzam

Nas encruzilhadas

O tudo e o nada

Coexistem

Nas encruzilhadas

Estáticos, a espera do inevitável

O caminhar, a direção

A luz, a escuridão

Tomam parte

Do cruzar da vida.

Vislumbro

Apodreço-me encerrado em mim mesmo

Apodrecemos todos através das mãos do tempo

Conservo minha mente, minha alma

Em meus sentimentos; em minha agonia

Conservo meus órgãos em álcool etílico

Destruo minha lucidez e razão

Com o mesmo álcool e com a nicotina

Deixo-me ver morto, inerte, podre

Através de minhas vilanias

Amaldiçoado, amaldiçôo o mundo ao meu redor


 

Sangue

Sinto em minha boca

Dor

Sinto em meu peito

Disperso

Sinto falta do chão sob meus pés

Torto

Sinto meus pensamentos se perderem

Não sinto

O amor

A luz

Trevas

Acompanham-me

Vultos da mente, da alma e do corpo

Vejo-os sempre a atormentar meus passos

Espero...

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Corpos ou Copos?

Corpos ou Copos a moverem-se?

Eu, parado ou será o contrário?

Almas paradas

E a minha a mover-se

Na imensidão do ser

Ou do não ser,

Apenas do estar; do sentir

Rostos, escuros e claros

Sorrisos, brancos e claros

Olhares perdidos e encontrados

E eu, parado, sentado

Entorpeço-me

Viajo

Tento ir e vir

Apenas vou

Talvez tão rápido

Que nem sinto,

Vou, estou

Aqui, parado.

Chuva Fina

Chuva fina, vozes

Risos, fumaça

Não me contenho em mim mesmo


 

Ébrio torno-me

Outro ser habita-me

Outro corpo se configura

Chuva fina, vozes


 

Fumaça, muito barulho

E na rua silencio

Será que é por causa da

Chuva fina?


 

Não choro nem rio

Não sinto

Adormeço em mim mesmo


 

O outro corpo toma conta de mim

O outro ser já se apodera de mim

Não me sinto

Nada dói

Adormeço

Ébrio

Chuva fina, fumaça e risos

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Profane Trinity


ON MY WAY HOME


TIRED BRUISED BLIND

DEAF HOPELESS SICK

WICKED LOST DYING

JUST ME WAITING

ONLY FOR YOU



Pray


Tides, tides, calmly embrace me

Stars upon the skies, gently cover me.

God of the sea, just take me

Deeper and deeper into the ocean

Where, maybe I'll rest in peace.


Foggy night


Foggy night, as dark as the

Darkest sins

See me here

Longing to be taken, willing to be

Taken away from myself

Hoping this could bring me back

To myself, hoping it can

Heal the pain within my heart,

Help me cure the wounds

In my soul.

Falta-me o chão sob meus pés.

10 de setembro de 2008

Ele tinha medo de altura, também tinha medo de outras coisas, como de magoar alguém, se magoar, dentre outros medos comuns a todos, só não tinha medo da morte, também pudera, já estava morto por dentro como ele mesmo dizia.

Toda vez que ele sentia o sol ou um leve vento frio; ou via o céu azul ou cinza, dela ele lembrava, dela, falta, ele sentia e em seus lábios o sorriso verdadeiro aparecia.

Nada para ele tinha mais valor, apenas as lembranças. Um homem que vive de lembranças, apenas revive em seu mundo, seu passado e na realidade, morto se encontra.

Vazio. Assim ele via seu dia, sua noite, sua vida.

Chorava. Às vezes de noite, as vezes de dia, sem saber ao certo porquê assim o fazia. Era perene sua tristeza, era calculado seu choro, era involuntário o choro e o cálculo.

Sentia-se perdido em si; em seus pensamentos. As pessoas por ele passavam.

Incrível! É como se ele ali não estivesse e não chamasse a atenção. Era insignificante, talvez tivesse sempre sido.

Um momento e caiu em si e toda sua vida passava diante de seus olhos.

Seus amores, sabores e dissabores, seu legado, suas alegrias, suas tristezas, seu grande amor o olhava, primeiro com doçura, amor, carinho, cumplicidade e paixão. Depois com aquele olhar de distância, insignificância do dia em que oficializaram o fim. Aquele olhar frio o matou. Estava morto desde então. Viu que ela o via como um qualquer e que queria que ele logo pegasse suas coisas e fosse embora; que nada mais restava.

Nesse momento uma dor forte, muito forte, uma ardência por todo o corpo lhe acometia.

Era o resultado da queda.

Ele pulara.

Naquela passarela as pessoas não o notaram e só notaram quando seu corpo e sua cabeça fizeram estrondo na via pública.

Ele ainda abriu os olhos para ver o sol que iluminava seu rosto e as pessoas ao seu redor, mas de sua mente aquele olhar que o matou o acompanhava naquele momento.

Além do sangue a sufocar-lhe, da dor e dormência total, sentiu uma lágrima escorre-lhe enquanto tentava dizer: Eu te amo, fui feliz com você.

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

23:04

Sigam-me os loucos

Os insanos, os dementes

Todos aqueles que como eu

Não são nada

Não estão nem à margem da sociedade

São a escória inútil

O peso morto

Sigam-me os falidos

Os de coração enegrecido

Os esquecidos

Os desprezados

Os subjugados

Todos os que não têm ninguém

A não ser a si próprio

Sigam-me também, principalmente

Todos aqueles que tudo tiveram

E que perderam ou que lhes foram

Tirado na calada da noite

Sigam-me os infortúnios

Os maus

Os desprezíveis

Seres do dia e da noite

Pois nos confortaremos uns aos outros

E contemplaremos não só os dias como as noites

De sol de chuva, de lua, estreladas

A doença, a peste, a guerra, a destruição

O renascer da vida após a morte

Moral, intelectual, espiritual e carnal do vil ser - humano.

O nada que sou


 

Às vezes sinto-me vivo,

Contudo, medíocre, baixo, vil

Outras vezes sinto-me morto,

Honrado, herói, divino

Presente

Passado

Vazio

Futuro

Temo meu futuro

Não me encontro em meu presente

Meu passado conforta-me apesar

De pesar em meus ombros

Em minha mente

Em minha alma

Não amo

Sou vazio

Sou o nada em movimento

Sou o sangue morto

Sou o frio ameno

Sou o calor morno

Sou medíocre

Não sou quem fui

Não sou quem quis ser

Sou algo que não sei o que

Não me reconheço nem em mim, nem em mais ninguém

Sou fosco

Sou vazio

Sou podre

Não sirvo nem de mau exemplo

Não tenho mais reflexo no espelho

Sou desprezível aos olhos dos outros e aos meus também

Sou e estou fora do espaço-tempo conhecidos

Resta-me a mim,

A insignificância de mim mesmo em meu próprio torto mundo de tortas idéias

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Há o sol e a lua a me guiar

Você é meu carinho

Sol e chuva

Você é meu guia

É quem encanta meu caminho


 

Há árvores, há flores, há frutos

Há chão, às vezes de cascalhos

Há chão, às vezes gramados

Há mais em nós se estivermos juntos


 

Sob a lua e sob o sol caminho

Sob a lua meu corpo cansado flutua

Em pensamentos sublimes

Sob o sol a dor minha alma açoita


 

Tristes os dias alegres de sol brilhante e temperatura morna

Alegres as noites tristes de lua pálida ou de chuva intensa

Conforta-me a noite e a lua

Abate-me o dia e o sol

Por saber perto de você não estar


 

Carinho, continuo a caminhar

Piso no cascalho, no gramado

Sinto o frio e a umidade da lua

Sinto o calor e o vapor do sol


 

Fico aqui a suportar as dores

D'alma e do corpo

Da mente e do coração

Um

Rio de janeiro, 18 de junho de 2008


 

Um sorriso, um olhar

Um beijo, um carinho

Um tocar de lábios

Uma alma a palpitar


 

Um gesto, um toque

Um falar, um carinho

A fazer toda uma alma

A prosseguir pelo caminho


 

Um sorriso, muita atenção

Um beijo com paixão

Um abraço apertado

A alegrar um coração


 

Jaz no peito a saudade

Da mulher; da união

Que dele fez mais que um homem

Que o aqueceu a alma e o coração.

Amar

                Rio de janeiro, 18 de junho de 2008


 

Não nasci pra ser amado

Triste constatação

Amo e sofro

E muito peço perdão


 

Choro mais do que faço chorar

Sofro mais do que faço sofrer

Vivo sempre a ilusão

De ser amado por você


 

Você a quem tanto amo

Você por quem tanto sofro

Por não estar ao seu lado abraçado

Ao Amanhecer


 

Como queria ser amado

Ter-te sempre ao meu lado

Ou apenas saber que de mim sentes falta

De tarde ou ao anoitecer


 

Queria tanto que o hoje fosse ontem

E que você fosse Eu

Pois saberia te amar

E em teus braços adormecer

Mas sei que isso não acontecerá

Pois eu sou Eu e você é Você

E constato mais uma vez

Não nasci para ser amado,

Infelizmente por Você.


 


 


 


 

Falso Sorriso

Rio de janeiro, 3 de setembro de 2008


Meu sorriso é falso

Apenas verdadeiro é

Quando lembro-me

De você sorrindo para mim


Minha alegria é falsa

Não porque minha felicidade

Em você estava, mas

Porque eu só a encontrava em mim

Quando ao meu lado estava


As cenas se repetem infinitamente

Em minha mente e em minha mente mentem

A todo tempo vejo você abrir a porta para mim, sorrindo

A todo tempo em minha mente, olho dentro dos seus olhos

E vejo sempre você sorrir para mim com carinho com amor com paixão


Contudo compaixão não teve comigo

Também não queria

Queria que o amor de mim ainda se fizesse presente em você

Assim como em mim o seu amor faz-se ainda presente


Às vezes é dia, as vezes é noite

Às vezes é manhã, é tarde, é noite é madrugada.

Penso em você e sorrio, corro para ver uma foto sua

E toco em seu rosto e sorrio para seu sorriso e

Digo: te amo minha Rita e pergunto:

Por que me deixou? E digo: Seja muito feliz

Do seu eterno Ricardo

Hiportermia

Rio de janeiro, 3 de setembro de 2008


Nem sempre quando o sol brilha seu calor atinge meu coração

Às vezes está frio, muito frio. HIPOTERMIA. Penso.

Às vezes chove, normalmente mais dentro do que fora de mim.

Afogo-me em pensamentos de momentos alegres que tivera


Frio, perdido, com medo, sem esperança me encontro, ou melhor,

Perco-me em mim mesmo.


Ainda lembro-me dos amanheceres de sol e calor ao seu lado;

Dos dias chuvosos e frios que me sentia aquecido e de bem com o mundo ao seu lado.

Lembro-me do gosto do café.

Lembro-me dos sons da rua; dos carros.

Lembro-me de nós a conversar ao adormecer e ao acordar.

Lembro-me ainda do dia passar e da certeza do nosso amor ter.


Hoje, tento esquecer todos os momentos, e pena não haver nenhum que

Tivesse sido ruim para que minha dor seja aliviada.

Tento me esquecer do café, do seu sorriso, do seu olhar, dos seus

Carinhos, de seu gosto, do seu cheiro e pior:

Tento ter a certeza de que você nunca me amou para que um dia

Eu deixe de te amar como

Te amo.

Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Deus, seu covarde!


 

Não quero mais sonhos

Não quero mais risos

Não quero mais calor

Só quero pesadelos

Só quero o choro

Só quero a dor


 

Não posso mais suportar os risos

Não posso mais suportar o carinho

Não quero mais ver as pessoas se amarem

Só quero dormir

Só quero pensar

Só quero sentir

Meu choro, minha dor ao respirar.


 

Não tenho mais nada

A mim, ó dor, a todo o tempo terás

Meu sangue gela

Meu corpo resseca

Minha alma enegrece

Morrerei, tu verás


 

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Sentindo

Não há sangue nos meus olhos

Meu coração não bate acelerado

Nem minha respiração ofegante é.


 

Sinto-me à deriva

Sinto-me perdido

Não sei o que fazer.


 

Talvez não deva fazer nada

Talvez seja tempo de talvezes

Perco-me a todo o tempo e

A todo tempo sinto-me perdido.


 

Vazio, absorto, triste, compenetrado.


 

Não há sangue em minhas veias

Acho que o sangue meu cérebro inunda e imunda.


 

Temo meus pensamentos; temo a mim mesmo

Temo enfrentar a realidade que criei para mim

Temo enfrentar a realidade que não sei qual é

Temo o hoje e o amanhã

Apenas me agrada o ontem quando...


 

Meu coração batia acelerado

Minha respiração era calma, mas eu suspirava

Em seus braços, aquecido pelo sangue que em

Nossos corpos corria e nos aquecia.

Sábado, 10 de Maio de 2008

O Frio, o vento e a companhia do vazio


Uma lágrima tenta por entre as janelas de minh'alma escorrer

Proíbo-a

Meu coração bate descompassado

Minhas mãos gélidas sobre meu peito repousam

Minha testa testemunha os anos que sofri

Meus lábios arroxeados apenas cobrem meus dentes

Amarelados pelos tempos por mim passados

Distantes que se fazem presente

Que se tornam meu presente sem futuro

Que apenas me mostram um passado

De Calor, de aconchego

De paz de alegria

De sorriso

De Sol

De tudo que tinha

E que agora não mais tenho e

Que me faz tanta falta que meu

Corpo apenas adormece no vazio de meu ser.

Sábado, 22 de Dezembro de 2007

Ode a Mario

Estimado Mario,

Escrevo-te estas linhas para dizer-te que compartilho de tua indignação.
Compartilho de tua indignação pelo mundo, pela alma humana, digo lama humana, por tudo de tudo o que nos é dado.
Compartilho também de teu amor pelas metáforas, e assim como disseste: “O mundo todo é uma metáfora de alguma coisa”, faço das tuas minhas palavras também.
Compadeço-me de tuas chagas e delas, tiro todo o sofrimento para poder escrever-te tais linhas, que lerás a seguir e que peço tão somente que ao final possas sorrir.

Ode a Mario

Sob as estrelas de um céu mudo,
Ao som ensurdecedor das ondas do mar,
Cá estou a pensar,
Neste sombrio e desumano mundo.

Sinto me queimar por dentro,
Mesmo com todo este zéfiro a perfumar-me,
Sinto-me incompreendido,
Com as estrelas do céu a brigar.

Tento fazer-me compreender a mim mesmo,
Tento sim acreditar,
Que talvez amanhã um novo dia seja,
E que talvez tenha com quem falar.

Não posso mais calar-me em mim,
Não posso mais chorar em ti,
Não quero que tu deixes,
De pensares em mim.

Sinto que te perco,
Acho que até, já perdi-me em mim,
Contudo ainda sofro,
Pela angústia de também te perderes em mim.

Sinto que mudei,
Que aquela água do rio,
Já não corre tanto assim,
Talvez também tenha ela mudado,
Ou será que morri em mim?

Não quero mais poder chorar,
Quero sim poder sorrir,
Não mais devo gritar,
Nem professar o que jaz em mim.

Triste canto-te esta ode,
Amigo, não espero fazer-te rir,
Porém se o fizer,
Já em boa ora hei de ir,
Pois o combinado, cumpri.

Carinho, do distante amigo,
Stênio M.

Mãos ao jarro d’água

Pelo Sol
Pela Lua
Todo corpo em um corpo
Todo ser é água
Toda água sob o Sol.

Padecer, padecer
Sob o Sol
Sob a Lua.

Paraíso

Em uma época não muito distante, Ele, lá vivia, Ele, lá sobrevivia, sempre a esperar Seu eterno Paraíso encontrar.

Procurava sempre ser o mais correto possível, esquecia-se até mesmo de viver, aliás, pensava que somente viveria, em Seu Paraíso.

Todos os que o cercavam contavam-lhe, cada qual a seu modo como era o Paraíso, e o que Ele, deveria fazer para lá poder estar. Viveu, viveu, ou seja, pensou ter vivido, vivido.

O tempo passava, e Ele, somente pensava em seu Paraíso, como ele seria, quem Ele lá encontraria, como lá seria feliz. Pouco se importava como os dias que por entre seus dedos escorriam.

Temia que ao final de sua vida, o Seu Paraíso tão esperado, Ele não conseguisse.
Como muitas formas de paraíso, e modos de até lá chegar eram lhe apresentados, Ele tentava fazer sempre de tudo um pouco.

Tentava sempre ser um pouco melhor do que podia, e tentava sempre ao ser ruim, não o ser tanto.

Contudo Ele em momento algum pensava no que fazia, o porquê fazia, como fazia, só pensava que fazendo, garantiria seu lugar em seu Paraíso, e desta forma nada de realmente concreto Ele fazia.

Vivia dizendo:
__ Deus a abençoe!

Porém assim o fazia, porque assim achava que acumulava pontos. Sempre que encontrava alguém que estava sendo punido, por algo que cometera, tentava sempre interceder, contudo, em seu íntimo, dizia:
__ Tomara que se dane, desgraçado!

E assim, nosso cavalheiro, com sua armadura de boas ações e bem dizeres, enfrentava a vida.
Todos diziam que Ele sim, merecia ir para Seu Paraíso, pois fazia o possível e o impossível para obter as graças divinas, e o prêmio maior, que seria uma vida repleta no paraíso.

Viveu, viveu, viveu e finalmente, um dia, como um passarinho, atingido por um objeto contundente, veio o nosso amigo, sim, Ele veio a falecer. Pois é; passou desta para uma melhor, como muitos dizem, isto se não fosse...

Ah! sim, Ele continuou a viver, viver e a viver como se nada tivesse acontecido, a não ser pela Sua Consciência, que o esclareceu, que Ele havia morrido, e que não estava em Seu Paraíso tão sonhado.

___Como não?
Perguntou-se assombrado:

___ O que faço, aqui? Onde está meu Paraíso, que a mim tanto fora prometido?
Sua sorte é que sua consciência, realmente lhe fazia as honras e com algumas lembranças o tentava explicar...

Ele, muito espantando com aquela enorme sombra azul que o cumprimentava e de alguma forma o era familiar, perguntou:
___O que faço aqui? Ou melhor, onde estou? Onde está Meu Paraíso?

___ Surpreende-me que não perguntou quem sou, e como lhe conheço.

Naquele momento, Ele se viu realmente em maus lençóis, primeiro porque além de não ter suas perguntas respondidas, ainda lhe foram incutidas duas mais.

Ele nunca pensou que aquilo fosse acontecer com ele, com outros ou todos sim, menos com ele.

Após uma pequena pausa, a sombra azul continuou:

___ Você viveu realmente de forma espantosa. Nunca fez realmente mal a ninguém, tampouco fizeste o bem, ou desejou o bem para seu próximo. Realmente acreditavas que somente por simples atos, sem sentimento, sem intenção, irias conseguir Seu Paraíso?
És um tolo. Nunca pensou em um só segundo no próximo, nunca tentou se quer experenciar os ensinos daqueles que acreditavas dever aparentar obedecer.
És muito mais que um tolo, és um fingido, e não se faça de vítima, sabes muito bem que tudo que lhe digo e verídico, e não há como contestar-me.

Neste momento, Ele fulo da vida tenta interromper sua consciência:
___ Escute aqui quem pensas que...

Antes mesmo que pudesse completar fora interrompido:

___ Sou aquela que sempre esteve contigo, mesmo quando não me tinhas. Pensavas que estavas só, mas a Providência divina tudo vê, tudo sabe, em tudo está, e sendo assim, não poderia ser diferente.

___ O que farei agora?

___ Primeiro terás que aprender alguma coisa, e para que isto aconteça, voltarás, mas voltarás de forma que ninguém te veja, a não ser por aqueles que estiverem na mesma condição em que tu estás.

Após este começo um tanto quanto conturbado, Ele sem muito mais esclarecimentos, se dispôs com Sua Consciência a voltar para Terra, para tentar aprender o que até então não havia aprendido.

O primeiro lugar para onde foram, foi um hospital.

Chegando lá, Ele deparou-se com uma cena chocante. Um senhor estava à beira da morte, e a sua volta estavam familiares, cada qual com seu pensamento, e além de seus familiares, estavam também a sua volta espíritos, alguns de uma luz resplandecente, outros de um negror e rubor tão fortes que o faziam nausear.

Perguntou a sua companheira, a Consciência, quem eram aqueles.

Ela por sua vez explicou:

___ Estes espíritos, que como você não mais vivem neste plano, se alimentam, e alimentam aos que ainda vivem na terra com medo, ódio, vingança e tudo de ruim que existe. Após a morte, é fácil identificar que tipo de espíritos as pessoas são. Não é o mesmo com aqueles que ainda vivem. Estes estão sempre disfarçados, mascarados, para si e para os outros. Não há coloração, ou freqüência, com a qual podemos identificar seus reais sentimentos. Veja os vivos, analise-os, esqueça um pouco os espíritos rubro-negros.

Naquele momento, Ele por não mais estar vivo, se pos a tentar a ler os pensamentos daqueles vivos que circundavam o velho e surpreendeu-se. Viu que muitos estavam ali para cumprir um mero protocolo, e pouco se importavam com o que aqueles que do velho gostavam, sentiam, na verdade, gostariam que o velho logo morresse, para não dar mais trabalho.

Outros não paravam de pensar no que aquele pobre velhinho moribundo podia lhes deixar de herança.

Um ou outro pode expressar verdadeiramente um sentimento de carinho para com o velhinho.
Então sentiu que por diversas vezes, Ele também se comportou daquela forma.

Parecia se comover com o problema alheio, única e exclusivamente para poder marcar pontos com Deus, mas verdadeiramente não dava à mínima.

Repentinamente, olhou para Sua Consciência e perguntou:

___ E agora, o que quer que eu faça? Acha que aprendi com esta demonstração de falta de carinho e compaixão humana?

Não teve tempo para formular novas perguntas. Imediatamente fora respondido:

___ Sim. Pois até a pouco, não tinhas consciência do que era falta de carinho, tampouco compaixão humana. Acredito que aprendes rápido. Prossigamos.

Dentro de pouco tempo, saíram do hospital, e foram para um templo religioso. Na verdade, não foram a um somente. Foram a vários templos de diferentes religiões.

Enquanto estavam no último templo o qual visitariam, Ele vira-se para Sua Consciência e pergunta:

___ Já passamos por alguns templos, e continuo vendo falta de carinho, compaixão, falsidade, perversidade, pessoas mal-intencionadas que mais parecem estar em uma guerra, uma guerra contra si e contra todos. Temos que realmente perder mais tempo com este aqui?

___ Sim. Pensas que já viste tudo, mas engana-te. Verás agora pessoas como você. Que pensam que aparentando tudo que deveriam experenciar, conseguirão Seus tão sonhados Paraísos.
Naquele momento, encontraram um grupo de pessoas que se cumprimentavam umas as outras. Perguntavam como seus familiares iam, mas por dentro, o veneno as consumiam. Uns até chegavam ao cúmulo de após cumprimentar o outro, desejar o pior para aquele.

Neste grupo existiam aqueles que não se privavam da libertinagem, da corrupção, e nem de comungar aos domingos. O pior, é que eles acreditavam piamente que após suas mortes, conseguiriam o tão sonhado Paraíso.

Ele, ao deparar-se com toda esta situação disse:

___ Não entendo o que queres fazer comigo. Entendi que não vivi da melhor maneira possível, entendi que fiz tudo errado para consegui Meu Paraíso. Entendi que em momento algum fui verdadeiro comigo, ou para com os outros. Contudo o meu entendimento não fará com que eu possa alcançar Meu Paraíso. Vejo que não fiz nada que deveria ter feito. Tenho agora a ciência que sempre fui uma má pessoa, certo estou que nunca entendi o que realmente eu deveria fazer, como deveria viver, e para ser sincero ainda não entendi muito bem tudo isto.

Neste momento Sua Consciência disse:

___ Realmente pude ver que muito progresso foi feito, e mais uma vez você surpreendeu-se e me surpreendeu, pois acertaste pela primeira vez até agora, ao dizer que não entendeste muito bem toda esta situação. Como você pode ver, eu nada digo-te, você mesmo tem tirado suas conclusões, que não estão muito completas, pois ainda temos mais um lugar para visitar. Agora você entenderá tudo.

Já passado algum tempo desde que começaram a conversar, logo após seu desenlace, Ele e Sua Consciência, iam agora para um lugar onde uma suave luz e um leve perfume envolviam a todos. Além dos vivos moradores daquela casa, espíritos de uma luz intensa e sutileza resplandecente também lá se encontravam. Ao adentrarem ele exclamou:

___ Como pode? Esta é a casa onde uma pessoa que trabalhava comigo mora. Na verdade, ele sempre foi explorado não só por mim, mas por todos. Ele era o que menos ganhava, o que mais trabalhava e o que menos reclamava. Sempre tentava ser útil, prestativo, até mesmo com aqueles que não o tratavam muito bem. Por que a casa dele tem este perfume, está luz e estes espíritos iluminados a guardá-la?

___ Meu amigo, pense um pouco mais. Até agora você mesmo tirou suas conclusões. Não sou eu quem vai responder-te a última pergunta. Ao invés perguntarei:

O que você procura? O que você aqui vê?

___ Não pode ser. Passei a minha vida toda me preparando para um paraíso, para o Meu Paraíso após a morte, que na verdade muitos o tem durante a vida!

___ Sim. Mais uma vez você não me decepcionou. Viveste, ou melhor dizendo, não viveste, pois usaste de todo e qualquer meio para aparentar viver segundo o que o Mestre ensinou, para após a vida desfrutar de um Paraíso que o Onipotente, Onipresente e Onisciente, nos presenteia a todo o tempo, e desta forma não viveste Seu Paraíso. Agora Eu Sua Consciência, devo deixá-lo.

___ Não! Não possuo um paraíso, não mais vivo, e tu és a única coisa que tenho! És tudo o que preciso. Não posso ser condenado ao vazio total! Não posso mais alcançar Meu Paraíso. Não me deixes! Sem ti nada sou. Em ti descobri a mim mesmo.

___ É chegada a hora, um dia reencontrarás contigo mesmo por meio de mim. Por hora basta. Não temas e não se esqueça de tudo o que aprendera. Guarde todas as impressões, todos os ensinamentos que te propusestes e experenciastes. Não tardará e conversaremos. Adeus.

Neste fatídico momento um grito rompeu no horizonte, imediatamente seguido de um choro e de algumas lágrimas que do rosto da recém mamãe rolavam impunemente.

Ele mais uma vez teria a Chance de encontrar Sua Consciência. Não após ter perdido novamente a chance de criar e viver Seu próprio Paraíso.

Sua Consciência, sempre o acompanharia, contudo, ele não poderia ter ciência disto, somente naquela derradeira hora, quando diante de si mesmo se encontraria para prestar contas de tudo que fizera e ou o que deixara de fazer.

Com lágrimas, choro e o Horizonte ao fundo, Ele tem novamente a chance de encontrar seu Paraíso e nele ser seu próprio Senhor

Agony Symphony

From the heights I could see
I could see your soul
You were in pain
Pain was in you
I couldn’t distinguish what I saw

Could it be you? Or
Could you be what I saw?
I felt deep inside your soul
The glory and the past days

Had I been there
I would have certainly suffered
Suffering is what fills us up
Agony comforts us all
Destiny is just on our ways

Suffering, Hatred, Agony and Pain
The city was there,
As if nothing had happened to it
As if we were still the same,
As the river had stopped its flow to the ocean,
As if we were still what we were.

The wind blowing as if it was to rain
The sand, the sun and the pain
I could barely move my face towards the sun
Even feeling extreme pain I could
I could feel my body

Could I have felt anything, dead?
Could I have suffered more where you are?
Could you have had the same experiment?
One day I suppose you will
One day I hope you won’t, maybe
You have just been through it.

Could we just live without suffering and learning?
Maybe for those who can’t even imagine they are living.
Yep!
That’s what I feel
That’s what I have to say
What can you tell yourself about it?

Agonia

Ele ainda com suas garras repletas de sangue e pedaços de carne,
Ajoelha-se diante do cadáver e chora. Por que será que chora?
Terá sido alguém de seu passado de homem, que se encontra
Parte a parte, despedaçado em sua frente?
Por que chora e uiva o agonizante lobo?
Ele começa a auto flagelar-se.
Talvez aquele fosse o corpo de alguém que o amara muito.
O que teria feito?
Seu sangue com o do cadáver misturava-se em seu peito.
Seus olhos lágrimas vertiam
Cada gota de sangue e lágrima que assim escorriam
Em sua alma de lobo-homem um caminho gélido percorria
Então a maldição completa estava
Andaria a vagar, a chorar e a uivar.
Sempre a agonizar, pois
Seu sangue com a de sua amada misturara,
Porém não um filho gerara
De sua destruição participara, ou melhor,
Havia sido aquele que em sua vil condição de lobo,
A vida de sua amada tirara.

Um Livro

Em um lugar não muito distante daqui, em uma época não muito remota, certo jovem ao caminhar por um caminho um tanto estranho e tortuoso em sua fazenda, depara-se com algo que destoava do imenso verde que lhe cercava.

Ele depara-se com um objeto que de certa distância não se fazia muito visível, muito claro, apenas azul.Aproximando um pouco mais viu que aquele objeto que não reluzia, devido a sua cor, mas devido sim à incompatibilidade de estar ali, no meio do nada, mas em um imenso mundo verde, mostrou-se claro e obvio para o jovem. Ele deparara-se com um livro pequeno e de capa azul; azul da cor do céu.

Ele não pode esperar e o livro azul abriu. Logo na primeira página uma surpresa, estava escrito “FIM”, sem nada entender continuou o livro desfolhar, mas não pela página seguinte que seria a última, desfolhou um monte de páginas por vez.Notou que os capítulos, assim como as páginas decresciam, e desta forma pensou: “vou direto para última, que com certeza, será a primeira”.

Quase certo, a última na verdade era nada mais nada menos que o título do livro, e voltando um pouco mais pro começo, quero dizer, neste caso, um pouco menos pro fim, ele chegou ao prefácio e logo após o índice.

Por um momento pensou em ir direto ao índice, mas por ser aquele um estranho livro, ponderou mais um pouco e resolver ler do início, ou melhor, dizendo novamente, resolveu começar do fim.Logo no prefácio, ficou apavorado, pois o livro começava assim:“Querido leitor, este é o livro da sua vida, você tem a oportunidade de descobrir o final, mas eu, o autor, aconselho a começar pelo começo, independente de lhe parecer o final, pois o final, onde bem sabes está escrito, neste livro, é a página primeira, e acredito ser melhor ler do início, até para você meu caro leitor entender o porque do fim”.

Ele assustadíssimo pôs-se a ler do fim, e assim não quis nem ler o índice porque achou que teria idéia do final através dos títulos dos capítulos.E assim o jovem se dispôs a ler.O livro embora sendo pequeno, era denso, pois escrito fora com letra pequena e possuía aproximadamente 2007 páginas finas, daquelas encontradas em bíblias.

Passado alguns anos, ele já tinha lido boa parte do livro; já havia passado da metade, pois não era todo dia que lia, pois sua curiosidade diminuíra, sua paciência aumentara e por isso já não mais lia vinte e quatro páginas por dia, passara a ler duas ou três páginas à noite, pois como encontrara o livro em certo final de tarde, continuou a lê-lo no final de seus dias.

Após os primeiros capítulos, ele logo notou que aquele livro era como se fosse seu diário, porém já escrito, que tirando os pormenores que ali não estavam, muitas das coisas ali escritas, inclusive pensamentos dos personagens, pareciam com os seus.

Tal semelhança, no começo o assustou, mas depois apenas o prevenia de ler mais de um capitulo por dia, e reforçava a idéia de que nunca deveria ir direto ao final. Assim viveu seus dias, e suas noites transformaram-se em momentos de reflexão.

Lia as páginas de seu livro azul claro da cor do céu que agora passados quarenta anos, meio acinzentado já se tornara.Em seu aniversario de setenta anos, pensou em ir direto ao último capítulo e descobrir de uma vez por todas como terminaria sua história, mas os anos o tinham ensinado muito, o tinham ensinado a ser paciente, a não ser tão curioso e a viver cada momento como se fosse o último e mais uma vez adiara a leitura do ultimo capítulo.

Não muitos capítulos ainda restavam e antes de chegar ao ultimo ele verificou pela espessura que ainda havia pelo menos mais uns três e então de forma bem discreta, resolver dar um jantar para toda sua família e amigos e passar agradáveis momentos junto daqueles que amava.Nesta noite após o jantar, sentou-se em sua sala de estudos como vinha fazendo há cinqüenta anos e se dispôs a ler um dos últimos capítulos, aquele que correspondia àquela noite.

Aquele capítulo era bem diferente dos demais, pois mais uma vez, após cinqüenta anos, ele leu um recado do autor do livro. “Caro leitor, se após cinqüenta anos, chegaste agora a este capitulo, devo dizer-lhe que conseguiste vencer a ti mesmo.

Acredito que o livro deva ter te servido bem e que você deva ter vivido muito bem, justamente o oposto se no fatídico dia do achamento deste tivestes ido direto ao final da história. Tenho apenas mais uma advertência a fazer: continue assim. Agora que chegaste tão próximo do fim, siga o quem vens fazendo, não pule ainda para o último capitulo”.

E assim ele o fez. Terminou de ler aquelas palavras e fora dormir.Na manhã seguinte sentiu-se como nunca havia se sentido antes, sentia-se jovem, sentia que ainda tinha muita vida pela frente, apesar dos fatos lhe mostrarem justamente o oposto. Leria aquela noite o penúltimo capítulo e preparava-se para despedir-se de todos que conhecia.Leu o penúltimo capitulo e uma lágrima correu pelo seu rosto enrugado.

Na manhã seguinte após ter se despedido de muitos de seus amigos, claro que de forma discreta a fim de não levantar suspeitas, resolveu ir até aquele mesmo caminho, na fazenda que ainda pertencia a sua família e que um dia achara o livro de sua vida.Chegando lá, chorou copiosamente e após acalmar-se resolveu caminhar.

O final do dia estava próximo, e então decidira ir até o ponto onde encontrara o livro e para sua surpresa, outro livro lá estava.Aproximou-se, abaixou-se e o pegou, mas não o abriu.Nem mesmo pensara em abrir aquele livro branco, branco como as nuvens do céu azul, pois aquela noite ainda deveria ler o último capítulo do livro azul, azul da cor do céu que era o livro de sua vida, e segurando o livro em suas mãos pensou:“Este será o próximo livro que lerei, mas primeiro devo terminar aquele que comecei a cerca de cinqüenta anos, pois se começar este agora, de nada terá me valido a vida”.

A Volta do Anjo (parte 2)

Assim ele seguiu aquela semana. Não se dispôs a fazer mal nenhum, porém seus adoradores, seguidores e todos aqueles outros espíritos, e humanos que o seguiam continuavam na prática do mal, mas ele não.

Ele estava muito compenetrado em tentar entender certas questões, e esperava ansiosamente pela próxima reunião naquela casa espírita na qual havia assistido aquela primeira reunião.

Nesta segunda reunião o que ele viu, foi um pouco do mal que ele mesmo através de seus súditos causava.

A dor daquela pobre mulher que havia perdido seu filho por causa das drogas, de alguma forma mexeu com ele.

Ele não entendia como um ser humano podia amar tanto outro. Ele não entendia o que era amor, e naquela noite, voltou ele para sua escuridão pensando agora o que seria o amor. Ele conhecia somente o amor de Deus, que há muito estava esquecido em seu coração.

Mais uma vez com dúvida ficara e pensava consigo outra vez:

___ Por que não sou perdoado? Que amor é esse que estes humanos sentem um pelo outro?

Lembrara então o porquê de seu rebelar-se contra Deus. Era justamente esta a questão. Deus havia feito o homem a sua imagem e semelhança. Deus havia feito o homem de forma que ele, o homem, pudesse ser também co-criador como Deus, e este foi a gota d’água para o anjo Lúcifer, que não entendera por quê Deus, que já possuía seus anjos ao seu redor, criara o homem a sua imagem e semelhança, e ainda por cima com o poder de serem co-criadores; e por quê os homens possuíam a Fé.

Esta fazia com que eles se amassem, e amassem a Deus sem nunca perto dele terem estado.

Ele começara naquele momento não só entender o que acontecia com ele, mas sentiu seu coração bater.

Ele começara naquela manhã morna, de outono, a arrepender-se, mas o arrependimento não pressupõe o perdão, ou melhor, dizendo, não pressupõe que mesmo que o perdão seja concedido, as coisas voltem ao que eram antes, um antes há centenas de séculos empoeirados pelas mãos do tempo.

Sentiu um calor em sua alma que não se conteve, e em prantos caiu de joelhos. Neste momento sentiu que uma luz fraca mas um pouco mais morna que aquela manha de outono o tocara.

Sentiu também que suas presas e garras já não mais dele faziam parte, suas asas eram novamente da cor do marfim e não mais como um monte de pele queimada e retorcida.
Sentiu-se perdido.

Não poderia voltar ao seu reino porque já não mais se reconhecia, tão pouco poderia subir aos céus, pois lá também não se reconhecia depois de tudo o que passara, depois de todo o mal que cometera.

Deus ainda não tinha se feito presente a ele, então ponderou e chegou a seguinte conclusão:

__ Todos vêm e vão. Todos têm o direito de pelo menos tentar reparar o mal que fizeram, por que eu não teria? Ficarei na Terra e tentarei inverter todo o mal que fiz até então. Não cabe a mim julgar, não cabe a mim questionar o que Deus acha ou deixou de achar; se vai perdoar-me um dia ou não; o que posso e devo fazer é tentar ser um pouco do que já fui para mim e para Ele. Tentarei ajudar o mundo a se reconstruir e afastar todo o mal que criei.

Tendo disto isto, pôs-se com alguns bater de asas, procurar alguns espíritos de luz que aqui na Terra se encontravam em trabalho de caridade.

Quando alguns dos espíritos de luz o viram, foram logo dizendo:

Bem vindo! Sua ajuda será bem vinda! Graças a Deus você voltou. Ajude-nos com o bem, com o amor, com a caridade.

Neste momento, ele agradeceu àqueles que lhe davam as boas vindas e prometeu-lhes ajuda.

Desde então ele vem buscando fazer o bem entre nós. Ainda não voltou a direita de Deus pai, mas está no meio de nós, procurando servir, ser útil, e provando que o arrependimento é o caminho para o perdão, mas o perdão que nós temos que nos dar, e que este auto-perdão não significa que as coisas voltarão a ser como eram antes, ainda porque uma vez tendo o copo de cristal se partido, o cristal não deixa de ser cristal, mas o copo já não mais existe.

Esta foi, é e sempre será a redenção de Lúcifer, pois Deus, sábio, conhece todos os segredos, tudo o que está escrito e o que ainda está pra ser; um deus de amor, não poderia deixar de dar a seus filhos o dom do amor, do arrependimento e o caminho para a redenção, e quem somos nós para achar, julgar ou simplesmente pensar que existe alguma criatura que poderia ficar fora do amor de Deus?

A Volta do Anjo (parte1)

Certa vez há muito tempo, caíra do céu, um anjo. Ele caiu para, então, nunca mais aos céus subir, e desta forma começa nossa estória.

Há muitas estórias sobre ele, mas me parece mais interessante contar-lhe uma mais nova, uma que mais sentido faça e que se faça diante de seus olhos.

Adorado era, perto de Deus, sempre estivera, mas assim como todos os demais seres que criados por Deus foram, como ele nunca seriam absolutamente perfeito.

Ele, contudo, era relativamente perfeito como acontece com os outros anjos, pois estes possuem a graça de Deus, enquanto nós humanos possuímos apenas a Fé.

Um belo dia, após séculos de existência, achou que por ser alguém tão especial, não precisaria mais obedecer a seu criador e resolveu subverter a ordem.

Não porque havia algo de errado com isso, mas por um problema de megalomania, resolveu achar-se maior do que realmente era e com isso foi contrário ao seu mestre e tentou pegar seu lugar na liderança.

Isso mesmo, ele achou-se maior que Deus, porque não concordava com certas atitudes do criador e como ele era um anjo, era relativamente perfeito, e ainda por cima o número um dentre eles; resolveu rebelar-se.

O castigo para ele foi o exílio. Caiu. Melhor dizendo, despencou céu abaixo e nas profundezas ficou.

Os séculos passaram e seu amor em ódio transformou-se. Sua complacência em ira.

O perdão e o amor, onde ficam?

Nosso caro ex-anjo, que um belo nome possuía, agora, paradoxalmente pertence às trevas. Paradoxalmente, pois seu nome era Lúcifer que quer dizer aquele que traz a luz.

Como pode? Como pôde? Aquele que trazia a luz, pertencer e agora as trevas trazer?

O perdão a ele não foi concedido, tão pouco a compaixão, e por que será?

Esta pergunta ele se fez através dos séculos e não conseguiu a resposta.

Consigo, ele pensava:

___ Como? Por quê? Eu era o anjo # 1. Sim cometi um erro grave, mas se os humanos têm sempre o perdão de Deus, por que eu não?

Certo ano, ele notou que os homens começaram a manter o contato com os que já haviam partido.

Com os espíritos de outros homens e estes, tentavam esclarecer as dúvidas dos que na Terra ainda estavam.

Passou então a freqüentar tais reuniões com o intuito de apreciar a conversação e de intimamente, e às vezes não intimamente, mas presencialmente zombar dos que ali estavam, tanto os vivos quanto os mortos.

Logo na primeira reunião que participara, por prudência, achou melhor não fazer nada, nem mesmo queria que fosse notada sua presença, e assim aconteceu.

Ao final da primeira reunião que participara, sentiu-se insultado, pois aqueles espíritos sabiam muitos dos mistérios do Universo, que segundo ele, somente um anjo poderia saber.

Contudo, ponderou, ponderou e começou por entender certas coisas que para ele deveriam ser cristalinas como a água. Uma das conclusões que chegou foi a seguinte:

___ Deus deve saber o que faz. Eu até agora não entendo o por quê até agora Ele não me chamou de volta para ficar ao lado dele. Talvez seja, porque desde que cai, venho fazendo tudo ao contrário só para irritá-lo, mas ele não se irrita, deve até está sentindo pena de mim. Não! Eu não sou digno de pena. Não! É melhor eu esquecer isso, mas uma coisa é certa, Ele deve saber o que está fazendo. Por que Ele não me perdoa?

Esverdeados Pensamentos

Ao olhar em teus profundos verdes olhos, vejo as ondas do mar beijarem as areias da praia.

O sol enciumado doura as penas de uma andorinha que do bando se perdera. O horizonte ao contemplar o sol, se perde nas esverdeadas ondas de teus olhos e a dor do passado a te corroer as entranhas, uma lágrima faz em teu rosto rolar.

Lindos olhos verdes de paixão, lindos cabelos vermelhos de tesão. Na imensidão de tua pele alva, lânguida deita-te aos meus pés. Teu sorriso largo quem diria, faria meu coração em chamas arder.

Verdes olhos os teus, que ao olharem para os meus, mostram sua alma a bailar. Não há ato nem potência, matéria nem forma, nada pode haver no espaço-tempo de teus olhos que não me faça adormecer.

Adormecido, sonho teus lábios encantar e fazer com que teus verdes olhos se ponham a brilhar. Quero ver-te sorrir, quero ver teu sorriso em teu olhar, pois sei que ao conseguir que me mostres tua alma, a minha obterás.

Não desvie teu olhar, não careces entristecer-te, contemple somente este verde mar e o azul do céu a escurecer. Não diga que não me ama, não queiras me fazer sofrer. Saibas que esperarei por ti até o dia amanhecer.

Não importa se amanhã, se daqui a um mês. O que importa é que quando o sol raiar, e teus olhos minhas esperanças, expectativas, desejos, PENSAMENTOS espelhar, nesse dia hei de chorar. Chorar não de tristeza, aflição ou agonia, chorarei de felicidade, paixão e euforia.

Olhos verdes, verdes olhos, pensamentos a voar. Voem como nunca, nunca deixem de voar. Sobre seus verdes olhos hei de inúmeros versos recitar, pensamentos esverdeados hei de declamar. Não diga que me despreza, que perto de mim não queres estar, pois meus pensamentos estão sempre contigo a brincar.

Não me faça chorar, pois eu nunca deixarei que alguma lágrima em seu rosto escorra e profane tua beleza. Beleza esta que seus esverdeados olhos espelham. Não me refiro ao que posso ver. Refiro-me à tua alma. Refiro-me aquilo que anima teu corpo, e que só posso ver através de teus olhos.

Andam dizendo por ai que estes são o espelho da alma. Outros até levantam a hipótese de a alma vista através dos olhos, ser a de quem os observa e não a de quem é observado.

Verdes, verdes, verdes. Pensamentos, pensamentos, pensamentos, delírios enquanto homem, certezas enquanto ser. Esverdeados pensamentos a me entorpecer.

As putas ou as santas?

Disseste-me que putas fingem.
Ah meu deus, será que é verdade?
E as santas, o que fazem?
Será que dizem a verdade?

Estas ostentam os caros presentes que ganham,
Aquelas o corpo vil que usam.
Contudo aquelas são aclamadas,
Enquanto estas às vezes apanham.

Quem sabe as putas não dizem a verdade?
Quem sabe as santas não mentem?
Que motivos teriam aquelas para mentir
Já que garantido é o pagamento?

As santas sim muito provável mentem
Porque precisam fingir o sentimento,
Porém vil são quando o calor
As arrebatam por dentro.

Penso, logo não consigo existir.

O pensamento dói,
Mais que isso provoca ânsia.
Sofrer talvez fosse menos sofrido
Caso o pensamento não maltratasse o vencido
Sofrer, sofrer, acordar, dormir, pensar, esquecer, pensar

Sonhar será que é viver? Ou será
Que viver é sonhar?

Talvez devêssemos apenas esquecer, e não deixar
O pensamento nos adormecer, nos esmorecer.

Pensamento este que envenena nosso ar, nossa alma, nosso mar.
Por que pensar, pensar por quê?
Já não consigo nem respirar porque dói.
A vida passa ou será que sou eu que estou por ela a passar?

Não sei o que pensar e o que penso não faz sentido, pois não sei.
Agora, como terminar de pensar este infame pensamento que faz com que
Não pare de pensar e escrever, que é forma também de pensar, como disse certa vez o Poeta, que:
Escrever é pensar?

Devo apenas relaxar e pensar em alguma coisa tranqüila, certo?

Lembranças

Chovia. O frio cortava-lhe não só sua pele, mas também sua alma.

Naquela calçada fria e úmida pela chuva, sentada lá estava. Uma lágrima em seu rosto descia, descia devagar, devagar e ao descer, a fazia lembrar do tempo em que era jovem, do tempo em que o frescor da juventude ainda não a tinha abandonado.

Lembrara-se, então, do caminho que tomara em sua vida. Lembrou-se de sua tenra adolescência e do primeiro beijo, da primeira transa e do primeiro pagamento.

Sentia o gosto do batom vagabundo que cobria seus lábios; sentia a sujeira que cobria sua pele e sentiu os bichos sua cabeça morder.

Também lhe mordia a alma a agonia do passado não vivido, ou melhor, desperdiçado.

Não se conteve. A paixão pela efemeridade a tinha corrompido; tinha destruído sua alma, seu corpo, seu futuro e agora apenas a calçada úmida, o frio, a sujeira e os bichos a acompanhavam.

Sentia que não muito mais viveria. Sentia que sua melancolia; sua agonia, com a chuva crescia.
Gritou. Desesperou-se e caiu em prantos, mas poucos puderam ouvir naquela calçada. Poucos passavam e naquele viaduto perto; poucos ficavam e sua tosse fazia-se mais audível que seu pranto.

O sangue subia-lhe a garganta; sentia-o em sua boca e neste momento, por um momento, lembrou-se das bebidas que por muitas vezes fizeram o caminho inverso.

A lembrança de si atormentava-lhe a alma. Chorava. Ria de nervoso; de desespero.

Lembrou do seguinte conselho: “minha filha, o tempo é o carrasco de toda e qualquer forma de vaidade, não o deixe iludir-te”. Chorou.

Onde estava a bela dama de bochechas róseas; de lábios vermelhos cor de sangue, que faziam parte dum rosto angelical?

Onde estava aquela menina que brincava no jardim, por entre margaridas e que sonhava com seu príncipe encantado?

Ela estava ali, na calçada, chorando, vertendo sangue e esvaindo-se; deixando um pouco de si naquela calçada úmida, gélida e sozinha, sem ter ninguém para segurar-lhe a mão quando partisse, sem ninguém para dizer eu te amo; sem ter; sem ser; simplesmente só em agonia e dor.

Domingo, 18 de Novembro de 2007

Seeing the world


 

I see a hopeless world

Fallen angels in battle

I feel the pain growing

Inside every soul


 

Desperation in every heart

Agony, Suffering and Pain

Life is not a short trip

It is a hot bitch instead


 

Disgrace, Darkness, Fear

Descending all upon us

Giving us no chance

No Future, no Redemption


 

Devil has his way

God allowed that

Facing the Horror

We must improve, prove

We can have God's Grace

And God's Glory

As the former angel

Once in Eternity

Ever had!

Quarta-feira, 24 de Outubro de 2007

Um pouco de chuva e muita saudade

Chuva muito fina. A claridade, pouca que se tinha, iluminava a vegetação rasteira que perto de seus pés estava. O cheiro forte não só de terra molhada, como de folhas, galhos e troncos, permeava toda aquela atmosfera e seu pensamento longo, ao longe ia. Ia por entre os anos que se haviam passado, entre as lembranças que ora a assombravam e pela tristeza que seu coração espremia.

Sentia-se sim, só, firme, decidida, mas no fundo triste, pois poderia estar com aquele que a amava e quem sempre amou, mas os sentimentos mundanos e as decisões humanas os haviam afastados. Será que para sempre? Até quando se sentiria assim?

A chuva apertara, seus passos também. Gostava de passear por entre as arvores sentindo o frescor e perfume da mata, mas aquilo também lhe trazia enorme tristeza, confusão e culpa.

Sentiu uma lágrima descer pelo seu rosto, mas ela não poderia dar atenção aquilo, deveria caminhar, pensar em sua vida daquele momento em diante. Por que pensaria no passado? Estaria lá além do motivo de sua tristeza também a solução?

Caminhou um pouco mais devagar, a chuva que começara apertar, agora aos poucos se tornava outra vez aquela poalha e ela deteve-se em apenas aproveitar o caminho e o perfume que agora sentia de algumas flores.

Pensou que estava ali sozinha, e realmente estava, mas seus pensamentos não. Ele também estava lá, de alguma forma ou de outra, ele estava lá, e sempre estaria.

Pensou: "Será que ele ainda pensa em mim e nos momentos que estivemos juntos? Será que ainda ao lembrar-se de mim, chora ou fica sentindo este aperto no coração?"

E assim caminhou, caminhou e caminhou até que se deparou com uma pequenina cachoeira que perto daquela vegetação rasteira que lhe acompanhava estava e por alguns instantes, resolveu parar e desfrutar daquela paisagem.

Pensou e ao pensar se viu mais nova, em um dia de sol a banhar-se em uma também cachoeira e ele lá estava a sorrir para ela e a beijar-lhe não somente os lábios, mas as faces joviais e róseas que emolduravam seu rosto.

Uma vez mais, mais uma vez, uma lágrima doce em sua face corria e antes que ela pudesse enxugá-la, o vento se apressou e secou-lhe o rosto e neste exato momento ela pensou:

"Eu ainda te amo e sei que você também e um dia estaremos aqui por toda a eternidade".

Terça-feira, 2 de Outubro de 2007

Tarde de primavera


 

Agrada-me o cinza do céu e

O vento frio da tarde

Parece-me que não só eu

Triste estou.


 

Conforta-me a falta de cores e

A falta de calor

Torna-me um pouco mais humano.


 

Dói menos quando o Sol a brilhar não está

Dói menos quando as estrelas a Lua não circundam

Dói menos quando não vejo as pessoas tão felizes.


 

Agrada-me a falta do canto dos pássaros

Agrada-me a falta do perfume e cores das flores

Agrada-me o vazio, a tristeza e o frio das ruas

Pois me esqueço do vazio, da tristeza e do frio que

Minha alma invadem.


 

Viva os dias de pouca luz!

Viva os dias de chuva fria!

Viva os dias sem alegria!


 


 

Quinta-feira, 27 de Setembro de 2007

Sendo dois somos um

Seios marcados pelo sol
Quero ter teus róseos botões
Em meus lábios
Quero que sintas minha língua
Acariciando-os com delicadeza e voracidade

Quero-te nua em meus braços
Quero-te vibrando
Quero-te chorando de prazer
Quero que sorrias
Quando em seus braços eu morrer

Quero que grites
Que chores
Que peças mais
Quero olhar-te

Saciada de sexo
Seu corpo nu
Ao meu lado

Seus cabelos cobrindo-te os seios
Seus lábios os dentes mordendo
Me pedindo mais
Me pedindo um beijo
Pedindo pra novamente sentir
O peso de meu corpo contra o seu

Quero-te
Assim
Minha
Só minha
Adormecendo em meus braços
Respirando ofegante no meu peito
Pedindo que não te deixes jamais
Que não te abandones jamais
Que seja só teu
Assim como minha és.

Peco porque pecar é ter-te em meus braços

Peco sim
Desejo-te
És de outro
Não me importo
Quero-te
Quero-te só pra mim
Pequemos nós
Pecai vós
Dane-se ele
Sejamos só
Nós dois
Dane-se o mundo
Dane-se o certo
Quero o errado com você
Quero-te só pra mim
Queimemos nas profundezas
Sejamos felizes aqui
O céu, encontrarás em meus braços
O céu, encontrarei em seus braços, lábios e sexo
Dane-se o mundo
Dane-se o pudor
Dane-se o certo
O certo é ter-te em meus braços
Dane-se o mundo
Dane-se ele
Vivamos nós
Entrelaçados, enroscados
Lábios contra lábios
Sexo dentro de sexo
Só nós e
Dane-se ele, todos
Danemos nós
Dane-se o mundo

Seu sorriso sorrir para mim

Tento sorrir,
O mundo não tem sorrido para mim
Por que raios então, sorrirei?

Ela sorri,
Ela de tudo ri
Seus olhos sorriem

Seus lábios tocam-se
Seu olhar contempla
O mundo que pra ela sorri

Eu choro, penso em mim
Penso nela e quase sorrio
Sorriria se pudesse

Não consigo
Mas seu sorriso
O meu procura

Seus olhos os meus olham
Sua alma a minha ilumina
Ela sorri de tudo
E tudo se ri de mim

Quero sorrir, quero sentir
Seus olhos os meus refletirem
Quero ouví-la
Como sempre ouço
Sorrir e ri-se de mim.

Quinta-feira, 20 de Setembro de 2007

Ex-anjo

Desci
Não cai
Contudo
Na escuridão estou
Minha Luz
Apenas reflete minha sombra e nela vivo
Asa partida
Não posso mais voar
Graça e Glória nas alturas não mais tenho.

O pesar e a miséria meu ser invade
Quero erguer-me
Arrepender-me
Não consigo
Minha Luz só a sombra provoca
Não me mostra o caminho
Não há saída
Ou há e não sei?

Belo, Perfeito,
Porém criatura.
Quis mais
Quis mais por vaidade
Arrogante fui
Detentor do saber, não o usei
Cai

Agora
Na sombra
Com a asa partida
Não posso voar
Não subo mais aos céus
Minha Luz, não muito ilumina
Será que subirei, retornarei aos céus um dia?
Deus queira que sim,pois eu quero
Só não sei ainda como.

Asa partida,
Na escuridão
Minha sombra me acompanha e
Não enxergo se não minha dor
Sofrimento e minha imperfeição
Espero que não por todo sempre
Mas por algum tempo na eternidade.

Broken Wings Angel

Broken wings
Feeling miserable
Here I am
In the endless dark,
Is it endless?

Maybe someday
I can back home get
Maybe someday
I can fly again
I Wish I can

Shadows around me
Nothing else I can see
Only the imperfection of
A former perfect being

Holy Ghost
Here I am
Crying out in pain
Take me back to the Promised Land
I made mistakes
Pride was the poison in my veins

Fire harms me
It does not warm me
But on the other way round
It kills my soul
Damned for all eternity?
I don’t hope so

Please, what can I do?
All the knowledge
Once I had
Fire destroyed
Pride spoiled

Holy Ghost
Gimme your Holy Hand
Save me from insanity
Save me from endless fear
Save me from endless pain

I want to fly again
To the heights of God’s Heavens
Where once I was happy
And I could feel His Glory and His Grace
Take me back to the Promised Land.

Sexta-feira, 6 de Julho de 2007

Eu por mim

Não tenho rumo, quiçá salvação.
Vago por ai em meu vago tempo.
Não acompanho o vento,
Ele sim me acompanha,
Pois ele tem seu rumo, seu sentido,
Eu tampouco os tenho.

Como Odisseu, ousei eu,
Ao Deus único desafiar
E a fim de me castigar
Perdido estou no mundo seu.
Sem onde possa sequer
Das dores do coração me abrigar.

Tenho certamente um passado,
Mas este certamente não mais me tem,
Prazer, solidão, tristeza, carinho
Todos passam pelo meu caminho
Mais nada, realmente nada
Neste vil e cruel mundo me detém.

O amor, este traiçoeiro, mesquinho e equivocado sentimento.
Por vezes a mim tenta ludibriar,
Contudo por não querer e não mais desejar
Suas armadilhas ardilosas com destreza
Fé em mim e certa sutileza
Dele consigo escapar.

Chamo-o de maldito,
Maltrapilho agonizante
Almejado e cultivado pro tantos
Que a muitos corrompe e destrói
Paralisa, dementa e perverte
Em agonia nossa alma corrói.

Lágrimas o que delas posso dizer?
Nunca as sinto escorrer
Tampouco ao meu rosto umedecer
Estrago, digo trago-as em minh’alma
Para que mesmo sem senti-las
Não as possa esquecer.

A Igreja dos Homens

Após a tentativa fracassada do Diabo de ter uma igreja e de ter todos sob seu domínio e graça, Deus com toda a sua infinita bondade, manda Gabriel chamar o tinhoso.

O Diabo que não andava bem da cabeça após ter sofrido tamanha decepção com a raça humana, reluta em receber Gabriel, contudo responde o chamado deste às portas do inferno desta forma:

__ Escuto-te sim, não precisas gritar tanto. Não achas que já tenho gente demais gritando em meu ouvido?

Gabriel prontamente responde a sua reclamação.

__ Canhoto, se cá estou é porque o Onipresente Senhor de tudo e de todos manda chamar-te.
O Diabo que já estava ficando irritado com a amolação, responde:

Senhor de tudo e de todos uma ova! Lá em cima Ele pode falar o que quiser, mas aqui em meu lar ouço e concordo com tão somente aquilo que me apraz.

__ Cramulhão dos quintos, ouça primeiro o que tenho a dizer-te depois reclames, negues tanto o quanto quiseres, mas agora ouça.

__ Tudo bem seu chato puxa-saco, traíra, que quando chamei para se rebelar contra Ele, deixou de ser meu amigo. Pois bem, digas a que vieste!

__ O Pai pede que subas, pois precisa dizer-te algo. Não adianta perguntares o que é, pois nada sei.

__ Como tu és inconveniente. Tudo bem. Diga que vou, não porque lhe obedeço, mas sim porque fiquei curioso. Certamente para mandar me chamar, deve ser algo importante. Com certeza, irá reconhecer meu poder.

Com tais pensamentos, o Diabo se dispôs aos céus e com alguns bater de asas, logo chega a frente ao Pai e pergunta com ar de deboche:

__ Finalmente acho que reconheceste meu valor. Chegaste à conclusão de que não sou qualquer um. Sou único, singular, supremo...

__ Cale-se. Não chamei você aqui para ficar ouvindo sandices. Você é louco se chegou a pensar em todas estas asneiras que acabou de falar.

__ Mas eu achei...

__ Cale-se que ainda não disse nada. A primeira e única vez que chegou a pensar algo semelhante, você despencou daqui. O que quer agora?

O Diabo que já estava muito irritado, disse:

__ Eu não quero nada. Tu mandaste me chamar, se alguém aqui quer alguma coisa, este alguém és tu.

__ É verdade. É tão idiota e atrapalhado que me confundiu. Pois bem, a questão é a seguinte:

Logo após sua fracassada tentativa de montar uma igreja para você, pensei em dar a você uma lição. Contudo, nada é tão mais valioso, quanto aprender por si próprio novamente. Desta forma resolvi eu, com toda a minha sapiência, dar a você meu caro uma idéia.

__ Que idéia é esta? Provavelmente queres me passar para trás.

__ Olha como fala comigo, Seu bode preto!!

__ Sem ofender, diga logo o que propões.

__ Bom acho que é hora de não mais me meter na decisão dos homens. Acho que não devo mais persuadi-los, mas você também não.

__ Grande idéia. É por isso que tu és Deus?

__ Você está me irritando. Vou mandar você de volta para os quintos sem explicar nada.

__ Ta bom! Continue, mas sem engabelações.

__ Bom acho que a humanidade chegou a um ponto em que nós podemos simplesmente, oferecer nossas soluções e ideais, e ver quem ganha mais fiéis.

__ Estás brincando comigo. Queres dizer que viraremos candidatos políticos?

__ Não digo isto. Mas afirmo que não utilizarei o voto de cabresto, não me intrometerei em nada. Que vença a melhor proposta para os humanos, sim porque o melhor serei sempre eu e o pior sempre você.

O Diabo não acreditou no que ouvia naquele momento, porém, imediatamente se dispôs à Terra para começar sua campanha.

Os dias se passavam e a disputa era ferrenha. Enquanto Deus tinha como cabos eleitorais todos os Santos, Anjos, Mártires e pessoas de boa índole, o Diabo tinha as mulheres mais lindas e saborosas, as festas mais picantes e divertidas, orgias, bacanais, alegria e fornicação por toda à parte.

Deus em momento algum se preocupara, pois por ser onisciente, já sabia qual seria o resultado.
Após um ano de disputa acirrada, Deus novamente manda Gabriel chamar o Diabo, para decidirem quem iria sair vitorioso.

__ Pois bem meu pobre Diabo. Como você acha que você se saiu em sua campanha?

__ Acredito ter me saído bem melhor do que tu. Todos estavam sempre muito alegres com tudo o que eu tinha a oferecer. Como iremos saber quem venceu?

__ Meu caro Diabo, é simples. Durante todo o próximo ano, não mais faremos campanhas. Os humanos sentirão falta da minha e da sua campanha, e orarão pedindo que voltemos com elas.

Aquele que mais orações receber, ganhará a concessão da igreja na Terra.

__ És realmente esperto, mas eu venci. Queres apostar?

__ Suma daqui, não faço pactos. Sou o Todo Poderoso. Suma já.

E a partir deste momento, o Diabo começou a torcer sem parar por sua vitória, enquanto Deus só esperava aquele ano passar.

Como Deus havia dito ao Diabo, as pessoas de todo o mundo sentindo falta das campanhas que ambos promoviam, começaram a orar, pedindo para que elas voltassem.

Houve até aqueles que se tornaram sorumbáticos devido à falta das mesmas.

Ao final de um ano. Gabriel novamente visita o Demo e anuncia que Deus o espera para apurarem o resultado.

O Diabo brincando diz a Gabriel:

__ Estás querendo abrir um inferno para ti também? Tens me visitado muito ultimamente.

__ Pare de besteiras e venha que o Senhor te espera.

Ao chegarem às portas do céu, Deus o esperava com um enorme sorriso no rosto.

__ Enfim saberá o resultado.

__ Não acredito que ganhaste. Roubaste! Roubaste!

__ Cale-se que isto eu não admito. Observe e tire suas conclusões.

Ao observar o que vinha acontecendo na Terra, de maneira mais criteriosa, ao lado de Deus, ele, o Diabo, não acreditou no que seus olhos viam e disse.

__ Como pode? Eles acendem uma velha para ti e outra para mim.

Deus com toda a sua sapiência, onipresença, onipotência, exclama:

__ Realmente eles nos superaram. Eles fundaram uma única igreja para nós. Uma igreja, onde se recorre a tudo, onde tudo se quer, onde desejam o céu mais não querem morrer, querem o prazer da carne, mas não querem pecar, enfim consolidaram A Igreja dos Homens.

Tendo dito isto, Deus e o Diabo se entreolharam e caíram na gargalhada.


Flávius Martin.